RETIRO MENSAL - Sugestao

 


MARIA: DISCÍPULA E MISSIONÁRIA DE JESUS CRISTO

"Fazei tudo o que Ele vos disser"
(Jo 2,5)

Preparar o ambiente: vela acesa, bíblia aberta, ícone do Perpétuo Socorro, rosário, flores, mapa da América Latina e Caribe.

1. Acolhida: Canto e Oraçao inicial  com criatividade.

2. Introduçao: Situando o tema.
Na Bíblia, todos os evangelistas, de acordo com a realidade da sua comunidade de fé, apresentam um retrato de Maria. Mas, todos eles nos apresentam Maria como Discípula e Mensageira do Evangelho. Vamos voltar nossa atençao para Maria que é nossa mestra e modelo de discipulado, para que sejamos bons discípulos e mensageiros da Boa Nova de Jesus.

Marcos apresenta um retrato de Maria convidada para entrar na escola do seguimento de Jesus (Mc 9,7) e a proclamar a sua fé com valentia (Mc 6,7. 13; 16,15). Logo depois de escolher os doze, Jesus sobe a montanha, lugar do encontro com o Pai, e aí cria uma nova família, a família dos seguidores, inclusive Maria, sua mae é convidada a fazer parte deste discipulado tornando-se uma "peregrina da fé". 

Mateus destaca Maria como mulher descendente do povo de Deus e sua açao é colaborar no cumprimento das Escrituras. "Eis que a virgem conceberá e dará a luz um filho" (Is 7,14). Ela, mesmo no seu silencio, tem uma missao especial a favor de Jesus, o Salvador do povo. Maria aparece como aquela mulher que vive plenamente o seguimento a Jesus e é fiel as exigencias feitas por Ele: Maria ama a Jesus acima de tudo (Mt 10,37), Ela acompanha o Filho em todos os momentos, mesmo que lhe custe dor e sofrimento (Mt 10,38). Maria é capaz de perder tudo para manter-se unida a Jesus (Mt 10,39). Maria, com sua vida, sua obediencia e sua proximidade junto a seu Filho, é a perfeita discípula e modelo de seguimento para todos nós. 

Lucas apresenta outro retrato. Nele, Maria é uma mulher ativa, comprometida, que se oferece livremente para colaborar no plano da salvaçao sentindo-se, ela mesma, discípula e serva do Senhor. Mulher disposta a servir e a anunciar a Boa nova da Salvaçao. Maria representa o povo de Israel que espera o Libertador. Ela é jovem, virgem, cheia de graça e com uma fé parecida com a fé de Abraao. Sua figura inicia o povo novo de Deus. Maria é a primeira a dar o seu sim para que o projeto de Deus aconteça. Mulher de oraçao, que cultiva uma sadia vida interior. Ela guarda e medita os acontecimentos no coraçao (cf. Lc 2,19-52). É terra boa que acolhe a semente e faz produzir frutos. Por isso Maria é também mulher missionária que abre caminho em meio as dificuldades.

Joao destaca a presença de Maria no início e no final do Evangelho. Ela é sempre chamada de "Mae de Jesus" e tratada como "mulher". Nas Bodas de Caná, Maria é mulher atenta as necessidades. Ela percebe a falta de vinho e toma providencia. É mulher de iniciativa. Com esta atitude, Maria mostra que a Igreja precisa de pessoas com iniciativa, capazes de perceber as necessidades do povo e dispostos a fazer tudo o que Jesus mandar. No final do Evangelho, Maria aparece junto a cruz de Jesus. É mulher forte que fica de pé diante da cruz. Aí, Maria é encomendada aos cuidados do discípulo e o discípulo encomendado aos cuidados da mulher. Maria recebe a missao de ser a mae da comunidade de Jesus, mae de todos aqueles e aquelas que acolhem e vivem a Palavra de Deus. Maria é a Mae de Jesus e a Mae da Igreja. 

3. Nosso encontro com a Palavra de Deus:

Texto para oraçao e meditaçao: Joao 2,1-12
1. Quais as atitudes de Maria nas Bodas de Caná?
2. Que ou quais atitudes, semelhantes, encontramos em nossa comunidade redentorista?
3. O que significa, concretamente, para nós hoje: "Fazei tudo o que Ele vos disser!"
4. A semelhança de Maria, temos sido pessoas atentas as necessidades dos pobres e abandonados conforme nosso carisma e missao redentorista?

4. Nosso encontro com as Constituiçoes:

Com grande constância acreditou Santo Afonso que sua Congregaçao, sob o patrocínio da beatíssima Virgem Maria, haveria de incansavelmente colaborar com a Igreja na obra de ganhar o mundo para Cristo (PH xxiv). Assim a nossa vocaçao é sermos missionários do Reino, evangelizadores dos pobres e abandonados.  E Maria é, para nós, inspiradora de vida missionária, ensinado-nos a contemplaçao, a escuta da Palavra de Deus e a presença atenta as necessidades do povo (cf. Jo 2,1-11)

Maria é nossa mestra de vida espiritual. Assim aconselha-nos a Const. 32, Redentoristas: “Tomem a Bem-aventurada, Virgem como modelo e ajuda. Ela que caminhando na fé e abraçando de todo coraçao a vontade salvífica de Deus, como serva do Senhor, dedicou-se totalmente a pessoa e a obra de seu Filho, serviu e continua a servir ao mistério da redençao, socorrendo perpetuamente o povo de Deus em Cristo. Honrem-na, pois, como Mae, com piedade e amor filial. [...]”

Contemplamos o seu SIM sem reservas a Deus, a sua  solicitude para com os  necessitados, sua fidelidade até a cruz, sua presença junto aos discípulos na Igreja nascente Por isso, os Redentoristas desde a formaçao inicial, conforme o Estatuto Geral 056 sao convidados a amar e a venerar “com confiança a Santíssima Virgem, Rainha dos Apóstolos”

5. Alargando horizontes
1. Na memória de Santo Afonso:

Maria, a Imaculada Conceiçao, é a nossa garantia de tudo aquilo que a Copiosa Redençao consegue realizar numa criatura humana que se deixa amar por Deus, como Ele nos quer amar. Ela é, ao mesmo tempo, nossa Medianeira, isto é, aquela que nos ajuda a dar uma resposta de amor ao amor infinito que Deus tem por nós. Maria é a nossa maior e melhor resposta de amor a seu Filho. Eis um aspecto importante da Mariologia alfonsiana, que é essencialmente cristocentrica. Nao é uma devoçao a parte, mas integra-se totalmente no mistério da Copiosa Redençao.

         O mistério da Encarnaçao está indissoluvelmente li­gado ao mistério de Maria. Ao “Ecce ancilla Domini” de Maria (Lc 1,38) corres­ponde o “Ecce venio...” do Filho (Hb 10,7). Por este Sim, Maria fica envolvida historicamente com o mistério da Redençao, em íntima relaçao com o Pai, o Verbo e o Espírito. Ela é a primeira a experi­mentar dentro de si a revelaçao como mistério de amor e de ternura divina, uma ter­nura que se manifesta como uma grande e bonita novidade (Boa Nova), capaz de libertar e de encher de amor. Afonso ima­gina Maria ninando Jesus e sussurrando-lhe: “Meu Filho, meu Deus, meu querido tesouro, tu dormes e eu morro diante de tamanha beleza. Dormindo, meu Bem, nao olhas para tua Mae; mas, o teu suspiro é como um fogo para mim...” (Cançao de S. Afonso: Calaram os céus...). A relaçao en­tre o humano e o divino revela-se como ternura total, desde o início: “Calou-se Maria e apertando a criança ao peito, deu um beijo naquele rosto divino...” (supra cit.). Afonso, ansioso por participar dessa comunicaçao de amor, completa, referindo-se a Mae e ao Menino: “Se tarde vos amei, Belezas divinas, agora por vós arderei sem fim. O Filho e a Mae, a Mae com o Fi­lho, a Rosa com o Lírio, é o que a minha alma deseja. A Planta com o Fruto, o Fruto com a Flor, serao o meu amor e ninguém mais amarei.”(supra cit.)

Maria é a Memória viva do Cristo humano. Ela vivenciou a Ké­nosis do Filho de Deus passo-a-passo com a existencia de Je­sus. É a que está mais próxima do Filho, por isso, mais do que ninguém pode interceder junto a Ele por nós. É claro para Afonso o papel de Maria como caminho para chegar a uma verda­deira resposta de amor a Jesus. Ela é a certeza de que a copiosa Redençao pode reali­zar-se de fato na vida de um ser humano. Maria atingiu o ápice da resposta humana ao amor de Deus em Jesus. Por isso, sua glória é nossa esperança. Sua in­tercessao é nossa garan­tia de misericórdia infinita por parte de seu Filho. Sua ter­nura de Mae nos leva pelo caminho da experien­cia afetiva de Deus. Contemplá-la e admirá-la é proclamar que a copiosa Re­dençao nao é uma utopia inacessível.

         A mediaçao de Maria é invocada para que nos faça participar da copiosa Redençao de seu Filho e, principalmente, para que nos ajude a dar uma resposta de amor: "Ó Maria, minha Esperança, se seu amo pouco o teu Jesus, nao te aborreças; ama-o tu por mim, se seu nao o sei amar.” (Tu scendi)... "Ei! nao te esqueças de mim, pecador; faz que meu coraçao ame quem sempre me amou.” (Evviva Maria: Sulla morte de Maria).

         A centralidade cristológica da Mariologia de Afonso nao permite que isolemos Maria num devocionismo apenas emocional: "Ó Mae poderosa, todos sabem que nada te nega Jesus; faz tudo o que mandas e tudo o que queres. Ó Mae de amor, obtem para o meu coraçao, que ingrato pecou, amor ao meu Deus, que tanto me amou.” (Cançao: A Maria, nossa Mae). Sua ter­nura de Mae nos leva pelo caminho da experien­cia afetiva de Deus, que longe de representar uma compensaçao as nossas carencias afetivas, nos conduz a plenitude do amor humano e divino, aquele que é eterno, porque se enraíza na própria natureza do nosso Deus. Contemplá-la e admirá-la é proclamar que a copiosa Re­dençao nao é uma utopia inacessí­vel. Com toda a razao, podemos cantar a Maria: "Ó bela minha Esperança, meu doce amor, Maria, tu és a minha vida, a minha paz és tu... já que o meu coraçao, Maria, é teu e nao mais é meu; toma-o e dá-lo a Deus, que eu já nao o quero mais "(Cançao: A Maria nossa Esperança).” Maria, eu confio muito em vossa intercessao. Minha Rainha fazei que eu ame a Jesus Cristo e também a vós, minha mae e minha esperança!".(PAGC c.IV,Oraçao) (O texto supra citado foi utilizado pelo Pe José Ulysses da Silva, CSSR em nosso retiro provincial no março de 2008  em  Londrina)

  1. Pelo Documento de Aparecida:

Aprofundando proponho alguns pontos para a reflexao e oraçao pessoal a partir do verbete “Maria” no Dicionário de Aparecida publicado pela Paulus Editora.

No DA, “Maria é a grande missionária, continuadora da missao de seu Filho e formadora de missionários” (DA 269, cf. 320).  É um modelo do “seguimento de Cristo” (DA 270) e uma  “escola de fé destinada a nos conduzir e a nos fortalecer no caminho que conduz ao Criador do céu e da terra” (DA 270)

“A Virgem Maria é a imagem esplendida da conformaçao ao projeto trinitário que se cumpre em Cristo (...) e que a plenitude de nossa liberdade está na resposta positiva que lhe damos” (DA 141) Com Maria “chega a cumprimento a esperança dos pobres e o desejo de salvaçao” (DA 267). Por sua “constante meditaçao da Palavra e das açoes de Jesus (cf. Lc 2,19. 51), é a discípula mais perfeita do Senhor” (DA 266).

         Em seu rosto “encontramos a ternura e o amor de Deus” (DA 265). Ela é “a presença materna indispensável e decidida na gestaçao de um povo de filhos e irmaos,  de discípulos e missionários de seu Filho “ (DA 524). Maria “cria comunhao e educa para um estilo de vida compartilhada e solidária, em fraternidade, na atençao e acolhida do outro, especialmente se é pobre e necessitado” (DA 272).

         Maria “é artífice de comunhao” (...) que “atrai multidoes a comunhao com Jesus e sua Igreja, como experimentamos muitas vezes nos santuários marianos” (DA 268).  Ela “ajuda a manter vivas as atitudes de atençao, de serviço, de entrega e de gratuidade”, indicando assim “qual é a pedagogia para que os pobres, em cada comunidade Crista, “sintam-se como em casa” (DA 272)

6. Concluindo

Rezemos comunitariamente o Santo Terço, pois: “de acordo com a tradiçao alfonsiana, todos os confrades diariamente honrarao a Bem-aventurada Virgem. A todos recomenda-se a recitaçao do Santo Rosário, para que com  gratidao recordem e imitem os mistérios de Cristo, dos quais Maria participou.” ( Const. 32)

Texto adaptado para os Missionários Redentoristas
 da Província de Campo Grande
 por Pe. José Afonso Tremba, CSSR.