Mes de maio, mes dedicado a Virgem Maria, a mulher do Sim, mes consagrado as nossas maes, mulheres audazes que nos conduziram, educando-nos nos caminhos de Deus. Também liturgicamente celebramos: Pentecostes, nascimento da Igreja, comunidade do Povo de Deus a caminho construindo o Reinado de Deus.
E mais uma vez colocamos a disposiçao das comunidades o texto do Pe Felix Catalá, CSSR. O qual neste mes de maio quer refletir brevemente sobre mais um elemento constitutivo da nossa vida religiosa redentorista:
Para nós, Missionários Redentoristas, a vida comunitária nao constitui o fim do Instituto, ela é, conforme a Constituiçao 21, “lei essencial da vida dos Redentoristas” para “realizar a missao na Igreja”. Isto significa que a comunidade existe para a missao, para tornar efetiva a “caridade apostólica” que somos chamados a viver. O texto constitucional: ’ ressalta que “sempre se considere o aspecto comunitário ao se aceitar um trabalho missionário”.
A comunidade é entendida em direta relaçao com o primeiro capítulo de nossas Constituiçoes. Nosso carisma define a necessidade e a forma de vida comunitária. O sentido de comunidade é ampliado em nossas Constituiçoes para incluir, além das comunidades locais ou pessoais o conjunto da Congregaçao bem como as (Vice-) Províncias como comunidades reais. A dimensao de comunidade requerida pelo carisma abrange tudo isso.
Nossas Constituiçoes nos dao uma idéia flexível de nosso estilo de vida comunitária, distanciando-se das estruturas e normas fixas da antiga Regra da Congregaçao. Agora as Constituiçoes e Estatutos Gerais oferecem um amplo arcabouço a ser elaborado em cada nível estrutural da Congregaçao. As exigencias nao diminuíram. Eu diria que se requer mais esforço, responsabilidade e criatividade para viver fielmente o nosso carisma. É necessário que o tema da comunidade seja assumido seriamente no nosso discernimento atual sobre a reestruturaçao.
Do segundo capítulo das Constituiçoes deduz-se que a comunidade nao é uma estrutura totalitária que sufoca a pessoa (cf. Constituiçoes 34-38). Tampouco é um conglomerado anárquico ou amorfo regido pelo individualismo ou pela improvisaçao (cf. Constituiçoes 44-45). A vida comunitária redentorista tenta reunir numa unidade orientada a diversidade de pessoas que enriquecem a Congregaçao e a Igreja.
Um novo conceito é introduzido para exprimir as exigencias de estabelecer comunidades autenticas: amizade evangélica. Somos chamados para formar comunidade em Cristo. A fim de vivermos as exigencias do Evangelho, somos chamados a unir-nos em “amizade evangélica”, para dar vida a uma comunidade, “mesmo na sua dimensao jurídica e administrativa”. Esta “amizade evangélica” também alimenta e promove a vida comunitária dos confrades (Constituiçao 34).
Como Redentoristas somos chamados a “continuar a presença de Cristo e sua missao de Redençao no mundo”. Isto quer dizer que livremente “escolhemos Cristo” como centro de nossa vida. Nossa vida comunitária cresce na medida em que cada membro cresce numa íntima relaçao pessoal com ele. Quanto mais intima for a uniao de cada confrade com Jesus, o Cristo, “mais forte será a uniao dos confrades entre si” (Constituiçao 23)
A esta altura surge a necessidade de “cultivar o espírito de contemplaçao”. A Constituiçao 24 nos dá uma descriçao do fruto da contemplaçao redentorista: ela nos possibilita “reconhecer Deus nas pessoas e nos acontecimentos da vida cotidiana; perceber em sua verdadeira luz o desígnio salvífico de Deus e discernir entre realidade e ilusao”. A comunidade redentorista, enquanto comunidade de oraçao vive e age em constante discernimento, “dócil ao Espírito Santo, que sem cessar atua para conformá-los a Cristo, de modo que aprendam a ver todas as coisas como Cristo as ve, e a ter a mesma mentalidade dele” (Constituiçao 25).
Conseqüencia de tudo isto é que, mesmo naquelas situaçoes em que um confrade vive e trabalha sozinho, ele o faz enquanto parte de uma comunidade em contínuo discernimento: a comunidade lhe dá o necessário apoio enviando-o, e ele sabe e sente a cada momento que ele nao está só “realizando-se” a si mesmo ou utilizando seus talentos, mas fundamentalmente está exercendo uma missao da comunidade (cf. Estatutos Gerais 026-027). Outra conseqüencia é que as vezes o confrade poder estar vivendo e trabalhando de um modo que nao seria a opçao dele, mas que, em discernimento comunidade, ele assume alegremente em obediencia ao Espírito e para ser um sinal da copiosa redençao como membro da comunidade redentorista.
Existem, pois, dois critérios fundamentais para estabelecer as comunidades redentoristas: “as necessidades da evangelizaçao e as exigencias da caridade fraterna” (Constituiçao 22). Eles dois se fundem, num só e ao mesmo tempo numa indissolúvel unidade, que é estruturada de modo a dar testemunho de Cristo e da verdade do Reino de Deus onde vivemos e exercemos nosso ministério. Deste modo nossa “vita apostólica” encontra expressao concreta como comunidade.
Onde quer que estejamos, seja qual for o nosso ofício, nossas comunidades devem ser sinais do amor de Deus e da salvaçao em Cristo. Concretamente, isto significa que cada comunidade (provincial ou local) precisa entender bem a realidade em que vive, a fim de se estruturar aí como um sinal real e eficaz do Evangelho de Cristo. No seu modo de viver e de organizar-se a comunidade testemunha o tipo de comunidade que Deus deseja para a humanidade. Perguntando qual é o sentido da vida religiosa hoje, colocamos a questao ‘o que significa hoje ser uma pessoa numa sociedade e numa cultura concretas’. Cada sociedade e cada cultura apresentam seus próprios desafios aos quais respondemos por nosso modo de viver e de ser. Em si mesma, a vida comunitária é um poderoso instrumento de evangelizaçao. Nossas Constituiçoes nos dao a flexibilidade de fazer isto quer estejamos na América, quer na Ásia, por exemplo, deixando as portas abertas para modos pelos quais proclamar a boa nova a partir de e para as culturas em que vivemos.
Os últimos Capítulos Gerais tem insistido na necessidade de enfrentarmos o forte individualismo que grassa em muitas de nossas sociedades e culturas. Talvez demasiadas vezes o individualismo se tornou parte de nosso estilo de vida. Uma coisa é respeitar e levar em conta a pessoa e o valor da vida pessoal perante Deus. A pessoa nao pode existir senao em relaçoes que se tornam a expressao da Comunidade Trinitária. Coisa totalmente outra é concentrar-se no indivíduo e na satisfaçao de suas necessidades e na realizaçao de seus talentos como principio absoluto. O poeta renascentista e pregador ingles John Donne exprimiu uma verdade profunda que ressoou por todo o mundo, além dos confins da Europa de sua metáfora.
Ninguém é uma ilha, inteira por si mesma; cada um é um pedaço do continente, uma parte do todo. Se uma terra é varrida pelo mar, a Europa é a menor, como se fosse um promontório, como se fosse a propriedade de teus amigos ou tua própria. A morte de qualquer pessoa me diminui, porque estou envolvido na humanidade, e por isso nunca mandes perguntar por quem os sinos dobram: dobram por ti.
As nossas comunidades enfrentam o desafio do neocapitalismo brutal que promove uma cultura de morte e do “cada um por si”. Temos de resistir a tentaçao de “aninhar-nos” no conforto da auto-satisfaçao e formar comunidades que proclamem a vontade de Deus, o Reino de Deus, as instar apostulorum (á maneira dos Apóstolos).
- De que modos a nossa comunidade é uma comunidade aberta que é “um fermento no mundo” e um “testemunho vivo da esperanças” (Constituiçao 43)?
- Nossas atuais formas de oraçao comunitária nutrem nossa vocaçao e fortalecem nosso zelo missionário?
- Como a nossa vida comunitária promove nossa “conversao do coraçao e contínua renovaçao da mente”?
http://www.scalanews.com/scala/jan08/scalaPortuguese.htm
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