ANO PAULINO VAI AJUDAR A REVITALIZAR A MISSAO NA IGREJA

 

Ano de Sao Paulo para despertar senso de identidade crista

Fala Dom Luigi Padovese, vigário apostólico de Anatólia

Em uma entrevista concedida a Agencia Zenit, Dom Luigi Padovese, vigário apostólico de Anatólia e presidente da Conferencia Episcopal da Turquia (CET), explica o programa e objetivos do Ano de Sao Paulo (28 de junho 2008 a 29 de junho 2009), convocado por Bento XVI.

Dom Padovese revela que «há muito movimento para organizar as viagens dos peregrinos e do turismo nos lugares paulinos, mas o fator religioso é central. A finalidade é despertar nos cristaos da Turquia e do mundo a consciencia da própria identidade.

O vigário apostólico de Anatólia, que é também um grande estudioso da Igreja primitiva, sublinha que Sao Paulo deu uma dimensao universal a realidade crista e manifestou que o cristianismo é novidade mais que continuidade.

Porque – acrescenta o prelado –, como dizia Tertuliano, ‘nao se nasce cristao, mas se chega a se-lo’ e Paulo nos ajuda a compreender onde estamos e quem somos. Paulo recorda a identidade crista.

Nao se trata só da continuidade da religiao judaica – acrescenta o presidente da CET – o nexo existe e é preciso reconhece-lo, mas a encarnaçao é um salto qualitativo enorme», assim como vai além de toda imaginaçao o escândalo da Cruz e a Ressurreiçao.

Segundo Dom Padovese, o jubileu paulino é uma oportunidade para dar a conhecer aos cristaos de todo o mundo a importância do apóstolo Paulo, com especial referencia a história de sua missao na Turquia.

Naqueles tempos – recorda o vigário apostólico – esta área era mais florescente e rica, ponto de encontro de culturas, povos e religioes que permitiu a inculturaçao e expansao do cristianismo.

O Ano Paulino tem também um grande valor ecumenico. Neste sentido, o presidente da CET relata a Zenit o encontro celebrado em Tarso em 25 de janeiro passado.

Na missa solene que aconteceu na igreja transformada em museu, concelebraram junto a Dom Padovese o bispo de Pádua (Itália), Dom Antonio Mattiazzo, Dom Gregoris Melki Urek, bispo sírio de Adiyaman, e Dom Joseph Amis Abi Aad, bispo maronita de Alepo (Síria). Assistiram também sacerdotes, religiosos e um grupo numeroso de fiéis.

A tarde, celebrou-se uma oraçao ecumenica pela unidade dos cristaos, a qual se uniram sacerdotes da Igreja Ortodoxa, o pastor evangélico de Adana e um amplo grupo de fiéis provenientes de Mersin, Adana e Iskenderun.
Com a finalidade de dar um impulso ao diálogo ecumenico, a CET quis envolver também as outras Igrejas na preparaçao do Ano Paulino. Neste contexto, Dom Padovese falou com o patriarca Bartolomeu I, o patriarca armenio Mutayfan e o metropolita sírio-ortodoxo de Istambul.

As autoridades turcas se mostraram muito interessadas no Ano Paulino ainda que – sublinha o vigário apostólico – nao responderam ao pedido de construir uma igreja em Tarso dedicada a Sao Paulo.

O pedido feito pela primeira vez pelo arcebispo de Colônia, o cardeal Joachim Meisner, foi reiterado por Dom Padovese, mas as autoridades nao se pronunciaram ainda.

O vigário apostólico preanuncia a abertura do Jubileu de Sao Paulo em um encontro que acontecerá em Tarso, em 21 de junho, no qual participarao as autoridades civis de Ancara, o cardeal Walter Kasper, presidente do Conselho Pontifício para a Promoçao da Unidade dos Cristaos e os dirigentes das Igrejas ortodoxas.

Por motivo dos dois mil anos de Sao Paulo, a CET publicou uma carta pastoral na qual se diz: Antes de ser católicos, ortodoxos, sírios, armenios, caldeus, protestantes, somos cristaos. Sobre esta base se funda nosso dever de ser testemunhas. Nao deixemos que nossas diferenças gerem desconfianças e prejudiquem a unidade da fé; nao permitamos que quem nao é cristao se afaste de Cristo por causa de nossas divisoes.

Também se voltará a publicar as cartas de Sao Paulo em turco, com a intençao de realizar um estudo em profundidade útil aos cristaos e aos católicos especialmente.

Dom Padovese revela a intençao de publicar um pequeno catecismo paulino que explique como Sao Paulo enfrentava os diversos temas da identidade crista.

Desde o ponto de vista arqueológico e histórico, Dom Padovese afirma que com o passar dos anos «o cristianismo foi muito apagado», mas no fundo « ainda se pode encontrar muito da presença crista.

Nas grandes cidades – indica o presidente da CET – muitas igrejas se perderam e outras muitas foram transformadas em mesquitas. Em Tarso, por exemplo, «havia uma belíssima igreja de planta basilical que atualmente é uma mesquita.

Mas na periferia ainda sao visíveis as marcas do cristianismo – sublinha o prelado. Em Antioquia da Pisídia, por exemplo, encontrou-se uma igreja dedicada a sao Paulo, onde o apóstolo pronunciou o discurso sobre a missao.

Em Éfeso, uma arqueóloga austríaca deu a conhecer uma gruta com grafites e frescos que recordam o ciclo dos fatos apócrifos de Paulo e Tecla.

De fato – recorda Dom Padovese –, na Turquia Sao Paulo desempenhou preferentemente seu apostolado. Os estudiosos sustentam que, de um total de 10 mil milhas que Paulo teria percorrido, boa parte foram na Turquia. E bastaria ler os Atos dos Apóstolos para perceber até que ponto Paulo viveu e percorreu as terras da atual Turquia.

Entre as muitas iniciativas, o vigário apostólico de Anatólia menciona também a idéia de organizar uma peregrinaçao nacional dos católicos da Turquia no mes de outubro.