Paróquias missionárias redentoristas
1. Preparar o ambiente: Bíblia, Constituiçoes e Estatutos, Plano da açao pastoral da Província, Cruz missionária, Ícone do Perpétuo Socorro, Fotos da açao evangelizadora na paróquia.
2. Acolhida: Rezar as Laudes em comunidade. Procurar no fim do dia ou no almoço fazer uma confraternizaçao. Celebrar a missao. Perder tempo estando juntos.
3. Situando o tema
Na conferencia feita sobre a “situaçao atual da fé e da teologia”, aos presidentes de Comissoes Episcopais da América Latina para a Doutrina da Fé, em Guadalajara no México em 1996, o entao Cardeal Ratzinger, assim se expressou: [Nossa maior ameaça] “é o medíocre pragmatismo da vida cotidiana da Igreja, no qual, aparentemente, tudo procede com normalidade, mas na verdade a fé vai se desgastando e degenerando em mesquinhez” Esta expressao foi acolhida pelo Conferencia de Aparecida, pois “a todos nos toca recomeçar a partir de Cristo” (DA 12) por isso se faz necessária uma forte comoçao.
Neste momento preparatório quero compartilhar a reflexao de Dom Joao Bosco Barbosa de Souza, OFM, Bispo Diocesano de Uniao da Vitória
A palavra “comoçao”, ficar “comovido” soa para nós como um sentimento, uma emoçao forte, um susto. Parece estranho, mas é esta a palavra que se encontra no documento final da V Conferencia do Celam (n. 362) para dizer que a nossa Igreja precisa de um “abalo”, um “choque” missionário para nao ficar instalada na comodidade, no estancamento e na indiferença, a margem do sofrimento dos pobres, nossos irmaos.
Deixando de lado o sentido emocional vamos olhar essa palavra “co-moçao”, no sentido de “movimento” (moçao) e para o sentido comunitário (co-, conjunto) a fim de perceber o que essa expressao tem a dizer para a nossa vida eclesial.
Será que estamos instalados?
Olhando para o grande número de atividades pastorais que acontecem na paróquia, podemos dizer que estamos instalados, acomodados ou indiferentes? Nao, com certeza nao estamos. Nosso povo é fervoroso, nós somos dedicados, há verdadeiros heróis do serviço ao próximo. Sim, tudo isso é verdade. Entao, que “abalo” é esse de que fala o documento? É suficiente isso que temos feito, em relaçao aos desafios que o mundo coloca hoje diante de nós?
No entanto, infelizmente, estamos instalados, sim, mesmo que alguns sejam muito operosos. E é preciso acordar a força de todos os demais cristaos, porque o contexto do mundo se tornou mais exigente, apontando novas demandas, revelando antigas lacunas que precisamos compreender e sanar. Estamos satisfeitos com as nossas liturgias? Nossas pastorais atraem a todos? Estamos contentes com o que conhecemos da Palavra? A Palavra da Vida chega a todos, sem exclusao? Os jovens e adolescentes – nosso futuro – estao dispostos a seguir os caminhos que lhes propomos?
A conversao pastoral de que fala o documento de Aparecida começa por uma profunda inquietaçao: devemos escutar com atençao e discernir “o que o Espírito está dizendo as Igrejas” (Ap 2,29) e “renovar, com coragem, as estruturas que já nao favoreçam a transmissao da fé. (n. 365)
Vamos rever a frase que deu título a esta reflexao: “A Igreja necessita de uma forte comoçao que a impeça de se instalar na comodidade, no estancamento, na indiferença, a margem do sofrimento dos pobres. Necessitamos que cada comunidade crista se transforme num poderoso centro de irradiaçao da vida em Cristo. Esperamos um novo Pentecostes que nos livre do cansaço, da desilusao, da acomodaçao ao ambiente, esperamos a vinda do Espírito que renove nossa alegria e nossa esperança.” (n. 362)
O Documento de Aparecida está repleto de sugestoes pastorais práticas e motivadoras. Está em nossas maos a tarefa de transformá-lo em vida para as nossas comunidades.
Agora caros confrades rezemos neste mes de junho, dedicado ao Sagrado Coraçao de Jesus e a querida Mae do Perpétuo Socorro:
“as nossas paróquias missionárias”.
4. Nosso encontro com a Palavra
“[...] a paróquia tem a maravilhosa ocasiao de responder as grandes necessidades de nossos povos. Para isso, tem que seguir o caminho de Jesus e chegar a ser a boa samaritana como ele. [...]” (DA 176)
Texto bíblico: Lc 10,25-37
- Nao quis saber quem era. Constatou que era alguém que necessitava de auxílio urgente.
- Nao ficou apenas comovido. Prestou socorro.
- Fez tudo o que podia fazer para ajudar. Limpou as feridas. Desinfetou com vinho. Aliviou as dores com o óleo.
- Superou as providencias imediatas. Colocou-o na sua montaria. Levou-o a hospedaria e tratou dele.
- Providenciou-lhe a continuidade de tratamento. Compromisso de vida.
5. Nosso encontro com o Documento de Aparecida.
O DA aposta no papel missionário da paróquia aponta para as dificuldades existentes e propoe, genericamente, mudanças estruturais. As paróquias devem ser “comunidades de comunidades” (cfr. nn. 309 517e) e transformar-se de comunidade de manutençao em “centros de irradiaçao missionária em seus próprios territórios” e “lugares de formaçao permanente” (n 306. Cf. n 304). A formaçao missionária deve ser integral (nn. 279, 299, 329, 337, 441a, 456), permanente (nn. 299, 306, 326, 437i, 518 d), específica (nn. 179, 283), comunitária (n. 305) e inculturada (n. 325). Isso exige “abandonar as ultrapassadas estruturas que já nao favorecem a transmissao da fé” (n. 365), entre elas a estrutura ministerial. O povo quer os interlocutores de sua fé por perto. Enquanto a relaçao entre “pastores evangélicos” e “padres católicos” é de 6 por 1, na falta do padre o povo opta, muitas vezes, pela presença do pastor (cf. 90). A proposta de renovar as estruturas paroquiais (n. 170) sem enfrentar mudanças na estrutura ministerial da Igreja permanece um desejo piedoso. Existem outros desafios de caráter estrutural. Entre esses o DA elenca a extensao territorial, a pobreza, a violencia, a distribuiçao desigual dos presbíteros na Igreja do continente (n. 197). Aparecida propoe descentralizaçao, desburocratizaçao (n. 203), multiplicaçao dos braços e qualificaçao dos ministros (nn. 513, 517-518). Por causa da extensao enorme das paróquias, propoe, o que nao é novo, a divisao do território paroquial em setores (nn. 372, 528c). Ao afirmar que “a renovaçao da paróquia exige atitudes novas dos párocos e dos sacerdotes” (n. 201), o DA aponta para falhas na formaçao seminaristica. A maioria dos delegados de Aparecida conhece os problemas, que aumentam as tarefas e sobrecarregam os párocos e suas equipes. (Cfr. SUESS, Paulo, Missao, o paradigma-síntese de Aparecida, pág. 177-178, IN V Conferencia de Aparecida: Renascer de uma esperança. Paulinas. Sao Paulo. 2008)
6. Nosso encontro com as Constituiçoes e Estatutos
O EG 018 se esforça por caracterizar o ministério paroquial dos Redentoristas como ministério animando pelo “Espírito Missionário”; com a intençao de fazer da pastoral paroquial uma “Missao Permanente” inspirada nos critérios fundamentais assinalados nas constituiçoes 3-5
Vejamos:
EG 018: Os Redentoristas que se dedicam a esse ministério devem desempenhar com toda a diligencia os deveres paroquiais, bem conscientes de que quanto mais agirem com espírito missionário, tanto mais realizarao uma missao, por assim dizer, permanente.
Nossos critérios fundamentais:
C. 3: Os homens mais abandonados, aos quais, de modo especial, é enviada a Congregaçao, sao os que a Igreja nao pode ainda prover de meios suficientes de salvaçao; os que nunca ouviram o anúncio da Igreja ou, pelo menos, nao o recebem como “Evangelho”; ou, finalmente, os que sao prejudicados pela divisao da Igreja.
Ao mesmo tempo a Congregaçao tem solicitude apostólica para com os fiéis atendidos pela pastoral ordinária, a fim de que, fortalecidos pela fé, se convertam continuamente a Deus e sejam testemunhas da fé na vida cotidiana.
C.4: Entre os grupos humanos mais necessitados de auxilio espiritual atenderao de modo especial os pobres, mais fracos e oprimidos, cuja evangelizaçao é sinal da obra messiânica (cf. Lc 4,18) e com os quais o Cristo mesmo quis, de certa maneira identificar-se (cf. Mt 25,40)
C. 5:A preferencia pelas condiçoes de necessidade pastoral ou pela evangelizaçao propriamente dita e a opçao em favor dos pobres constituem a própria razao de ser da Congregaçao na Igreja e o distintivo de sua fidelidade a vocaçao recebida.
O mandato conferido a Congregaçao de evangelizar os pobres visa a libertaçao e a salvaçao da pessoa humana toda. Os membros da Congregaçao tem como incumbencia o anúncio explícito do Evangelho e a solidariedade com os pobres, a promoçao de seus direitos fundamentais na justiça e na liberdade, com o emprego dos meios que sejam , ao mesmo tempo, conforme o Evangelho e eficazes.
7. Nosso encontro com as origens Redentoristas.
Cada um em sua época e na sua missao específica procurou ser fiel ao projeto de Deus e desenvolver da melhor forma possível a missao confiada:
- Santo Afonso jamais pensou no ministério paroquial para os seus missionários. O clero diocesano era superabundante, ainda que a pobre gente do campo se encontrasse abandonada pastoralmente. Afonso se propunha a realizar a evangelizaçao missionária das paróquias, e, sobretudo as rurais, renovando e criando autenticas comunidades de fiéis na Igreja, através da pregaçao explicita e extraordinária da Palavra de Deus. “Viver, portanto, o Evangelho em comum e pregá-lo de uma maneira fiel e nova: este era o programa de vida apostólica estabelecido por S. Afonso para os redentoristas dos primeiros tempos. Teve inclusive a idéia de criar uma “missao permanente” em certas localidades (Scala, Villa degli Schiavi, Ciorani) que reunisse a todos, redentoristas e fiéis juntos, em uma comunidade permanente de vida devota, semelhante aquela primeira comunidade de Jerusalém (Atos 2-4).” (Com. 82, p. II, n.1)
- A “Missao Permanente” é a forma prioritária e a única possibilidade de apostolado missionário de S. Clemente Maria Hofbauer. Pe Passerat teve a primeira experiencia negativa das paróquias na Congregaçao. Os redentoristas, quase que forçados a dispersar-se pelas paróquias da regiao de Visp (Suíça), perderam o contato com a comunidade e acabaram por abandonar a Congregaçao. Todavia, nos Estados Unidos, onde os Redentoristas chegaram em 1832, o compromisso com os imigrantes católicos também se desenvolveu através das paróquias, mas em forma comunitária. O desafio de tantos imigrantes dispersos por distancias muito grandes fez da paróquia um ponto de partida para o trabalho missionário para além do território paroquial. Com a aprovaçao de Passerat, Sao Joao Neumann (1811-1860) consolidou este tipo de trabalho paroquial para os Redentoristas. Noutros países, de situaçao análoga aos Estados Unidos, os redentoristas continuaram aceitando novas paróquias sempre que existiam convergencias entre o empenho missionário e o ministério paroquial dos redentoristas:
“(1) Dedicava-se muito tempo e atençao a preparaçao e celebraçao da liturgia; (2) Sempre conscientes de nossa tradiçao, colocavam uma enfase especial na pregaçao da Palavra de Deus; (3) Fora da Igreja, eram realizadas cerimônias para ajudar a vida devota; (4) Sempre havia um grande número de confessores disponíveis; (5) A comunidade inteira, inclusive os missionários quando se encontravam em casa, se comprometiam a colaborar na vida e nas atividades paroquiais” (Com. 82, p. II, n. 2) (Parte deste texto está baseado em Pe J. Ulysses, CSsR)
8. Vendo as nossas origens provinciais:
Nas nossas origens como Missao de Aquidauana (1930) partiu-se da experiencia de Sao Joao Neumann. Conjugou-se o trinômio: Igreja Paroquial – Casa Paroquial – Escola Paroquial. Missao permanente integrando açao evangelizaçao e promoçao da vida. A Escola Paroquial sob a coordenaçao das Irmas Vicentinas estava localizada na cidade, mas tinham extensoes nas capelas rurais. Exemplo disso se encontra em Bela Vista onde a Irma todo dia saia do convento para o exercício de seu ministério de educadora na Capela Sao Patrício. Assim podemos dizer que “Evangelizar e educar os pobres sao as bases de nossa missao redentorista como Província de Campo Grande”. Bendito seja Deus por estes homens e estas mulheres que deram suas vidas no anuncio da Copiosa Redençao.
Texto elaborado e adaptado para a Província de Campo Grande
Pe José Afonso Tremba, CSsR |