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Redentoristas refletem sobre Reestruturação


Encontro Nacional de Espiritualidade Redentorista

Organizado pelo SIER
 
 

Tema Central: Teologia da vida Redentorista e a Reestruturação

 
Dia 02 de Fevereiro de 2010
 
Abertura
Pe. Vinicius, C.Ss.R
 

Qual é o espírito que nos ilumina e nos conduz pelos dias atuais. É o mesmo espírito que no ano de 1732 inspirou Santo Afonso a fundar a Congregação do Santíssimo Redentor. Somente aquele que permite viver esse espírito é capaz de seguir os passos do fundador e do Redentor.

Caminhamos para uma realidade urbana cada vez mais confusa e esplendorosa. Muitos correm dos campos para a cidade – 80 % na cidade e 20% no campo. A Igreja rural tal qual a conhecemos e tanto inspirou Afonso tende a desaparecer. Estamos vivendo novos tempos e temos novos areópagos. Temos que rever nossas reflexões e como estamos sendo missionários redentoristas e até que ponto estamos respondendo a essa realidade. O que estamos dispostos a fazer para viver de forma nova e eficaz. Qual é o espírito que me inspira, aquece e me conduz. A questão não é o que essa ou aquela Unidade faz, mas sim o que estamos todos dispostos a fazer pela Congregação. Diante do fenômeno urbano não podemos ficar calados. O mundo muda de forma extraordinária. Temos de deixar de lado o simplismo. A reestruturação nos convoca a uma vibrante comunicação dos fatos. Olhos nos olhos do nosso destinatário, de forma mais direta, o homem urbano. Ele tem pergunta a nos fazer e faz. Se não houver uma mudança hermenêutica do carisma e da missão a evangelização não acontece.

 
 

Teologia da Vida Redentorista

 

1. Continuar Jesus Cristo (Formas de compreensão da Vida Religiosa)

 
Pe. Afonso Tremba, C.Ss.R
 

As Constituições redentoristas é a nossa forma de viver. É nelas que temos resposta para nossa vida. E elas começam (Capitulo 2) a nos dizer que tudo parte da comunidade. É na comunidade que nossa missão se realiza. Sem comunidade não há missão, nem redentorista. Pela comunidade Deus me ajuda a perceber que Ele me ama e por causa disso sou redentorista. Em nenhum momento as Constituições falam de Consagração, sim de dedicação. Também não fala de Vida de Religiosa, sim de Perfecta Caritate. Nós, redentoristas, somos chamados à vida apostólica. O que não pode ser confundida com apostolado. O apostolado é menor que a vida apostólica. As Constituições não querem controlar nossa vida. Querem nos ajudar criando um ambiente saudável onde posso expressar o que tenho de mais profundo. São uma experiência de vida saudável onde expresso o que tenho de mais profundo, bonito e convincente. São asas que nos levam para o apostolado e para Deus. Para o redentorista esse vôo não é individualista, sim comunitário. Somos um “bando que voa” em comunidade para a missão. A comunidade é onde encontramos a força para empreendemos este vôo em direção aos destinatários. É preciso entrar no processo de conversão. É preciso buscar a mensagem integral das Constituições em todos os aspectos da vida eclesial. Nessa conversão temos de estar atentos aos sinais dos tempos sobre a pobreza e a liderança nas comunidades, que mais do que mandar, anima e motiva.

            O termo vida apostólica passou por três momentos fundamentais na história. Primeiro ele significou a vida cenobítica. Esse monaquismo cenobitico é a via apostólica. Segundo momento, Cônegos regulares, que além de colocar a vida em comum colocam também o ministério sacerdotal. Começa aqui a pobreza apostólica, pregadores apostólicos e buscam voltar à regra primitiva. Terceiro, a expressão sofre sua ultima evolução no século XIII, pregação itinerante acompanhada da pobreza comunitária, são os pregadores mendicantes, dentre estes Francisco e Domingos. A partir de São Francisco a vida apostólica se aproxima mais de Jesus. é o modo de vivencia com o mestre. Os apóstolos estão sempre com o Senhor e ele os envia a pregar.

Dando um salto maior, chegando a São Vicente de Paula. A Congregação é criada pós-Concilio de Trento imediato. São Paulo da Cruz traz um sentido pleno à vida apostólica. Santo Afonso vai dizer que a vida apostólica consiste em dar um adeus solene à própria casa sem jamais ver nem a pátria, nem os familiares. Onde domina a pátria e o sangue não há apostolicidade. Não pode pertencer ao Reino de Deus quem pos a mão no arado e se volta para trás. É um deixar permanente. Não por hora.

Nosso compromisso é o mesmo que Cristo. Quem não tem o zelo de Jesus não é apto para o ministério.

 

( restante da manhã: Trabalho em Grupos)


Período da Tarde

(após a partilha dos Grupos)

Pe. Vinicius Ponciano


"O redentorista tem feito muita coisa, mas se não for a favor dos pobres é melhor não fazer nada". Temos por obrigação, garantida pelo carisma, estar sempre a serviço dos pobres e abandonados. O que fazemos é em função desses ou de quem? Quem nos inspira a viver a missão. O próprio Jesus, quando se deixa ser inflamado pelo Espírito é para evangelizar os pobres. Quando Jesus confirma essa consagração pelo Espírito é em favor dos pobres. Não adianta fazer muitas coisas, é preciso fazê-las em favor dos quais somos chamados e enviados. Não adianta dar passos de gigantes fora do carisma. Se não houver conversão não há como ser um carisma fecundo. A conversão passa pela dimensão pessoal e comunitária.

            Missão é o impulso para a reestruturação. O mundo que nos cerca as vezes nos deixa apavorados. Precisamos saber como atuar numa ou noutra situação. Muitas vezes nos angustiamos sem saber o que fazer, mas é preciso nos colocar em perspectiva de que Jesus está conosco.

            Alguns problemas que trazem a crise que enfrentamos hoje é a falta da vida de oração, da busca em ler os sinais dos tempos, de viver a consagração em comunidade, de buscar viver o carisma que é proposto, a falta de viver a conversão diária. Quando buscamos o sentido da conversão voltamos para Deus. Conversão é um ato cirúrgico doloroso, quase sem anestesia, mas nos ajuda a rejuvenescer. Pela conversão nos voltamos para Deus, mas Deus se volta para nós. Não podemos ser redentoristas que se mostram ou vivem de modo amargo. E se assim nos sentimos é porque estamos nos distanciando da Palavra de Deus, da Eucaristia e da Vida Comunitária. Sem esses elementos a vida redentorista não tem liga. São coisas que fazem parte do nosso ser. Não podemos pensar que somos voluntários na vida religiosa redentorista. É uma opção de vida.


(partilha nos grupos)

Missa
 
03 de fevereiro
Manhã
 
Pe. Marcelo Conceição Araujo
 
Foi constatado pelo nosso Governo geral que as Constituições estavam um pouco de lado. O que queremos destacar é o quanto as Constituições orientam e ajudam em nossa prática de vida redentorista.
Fidelidade à nossa missão num mundo em mudança, vivendo uma flexibilidade e adaptalibilidade. A missão precisa ser o impulso para a reestruturação. Não há como reestruturar sem pensar em missão. A conversão é o primeiro grau de exigência para a reestruturação. Pela conversão vêm a redenção, recebendo e dando vida em abundancia. O redentorista precisa falar daquilo que experimenta.
A profissão religiosa não se limita simplesmente a uma estrutura, a missão é essência dela. A consagração da vida religiosa implica uma escolha fundamental de viver de maneira especial o meu batismo. Isso implica saber que modos de viver e outras atitudes que não condizem com essa opção precisam ser deixadas de lado.
Vivemos um fenômeno de globalização, que nos insere num mundo plural e diverso. A mobilidade humana que nos assola. Há menos espaço para o Espírito. Há uma necessidade de evangelização, que seria pregar o Evangelho como vida plena. O que fazer diante disso? Ter mais presença entre os pobres (os pobres são nossa escapatória); ter mais sensibilidade para trabalhar com leigos e leigas. Enfrentamos alguns problemas em referencia aos novos tempos e vivemos certo provincialismo, que denota dificuldades na vida espiritual e comunitária; estamos fechados em nossos mundos. Não se olha a necessidade da Congregação, mas somente a Unidade. A ausência de estrutura interna. Formação voltada para a Unidade e não para o bem comum de toda Congregação. Muitos serviços e prioridades missionárias necessitam de reestruturação. Nossa caridade apostólica precisa nos levar a desinstalação. Nossa vida comunitária está deixando seu espírito contemplativo e o desencanto pela vida comunitária. Há um declínio para a formação intelectual.

O sentido da reestruturação

 

            Se o processo de reestruturação não for assumido por toda a Congregação, estará fadado a ir para o insucesso. Ao analisar o estado atual da Congregação, ele conclui que a Congregação está viva e por isso pode-se falar em reestruturação.

            Os sentidos referente à reestruturação é colocar nossas atuais estruturas a serviço da nossa missão. Nem sempre fomos organizados em províncias. Essa organização em províncias foi um processo de reestruturação. O espírito das Constituições dizem que nossas estruturas devem ser adaptadas às exigências da missão.

            Reestruturação é conversão espiritual. Falar nisso é falar de liberdade. Pois nos chama a uma mudança como dom de Deus.

            Conversão focada na missão. Deus nos mostra novas urgências e nos abre a novos ambientes. Precisamos nos despertar para nova liberdade, nova disponibilidade, imaginação corajosa...

            Especial função à nossa consagração religiosa. Isto é, tomar a consagração como uma escolha pessoal que nos abre a um processo comunitário como força motora no nosso dinamismo missionário. A missão é sempre meio, não fim.

Necessidade de superação de um clericalismo difuso: modo diferente de ver o mundo, entendendo melhor o mundo em diálogo com os leigos.

Os leigos e leigas vão nos ajudar a identificar a questão da salvação e a evitar respostas pré-fabricadas. É um buscar ouvir os interlocutores.

Tomar consciência que somos religiosos, criando coragem em dar testemunho ao povo a partir da consagração. É um ser testemunho profético da vontade de Deus.

Redescobrir a vocação e dar mais valor ao Irmão na missão.

 

Princípios da reestruturação

 
  1. reestruturação é para a missão (cc 1-5)
  2. um novo despertar a nossa vida apostólica
  3. buscar e acompanhar os mais abandonados
  4. Solidariedade na missão inclui capacidade de otimizar recursos financeiros
  5. Requer associação entre as Unidades
  6. Parte vital de nossa missão é a experiência espiritual
  7. Co-responsabilidade exigida de todos

Dia 04 de fevereiro, quinta-feira

São Clemente Maria Hofbauer
 
Pe. Afonso Tremba, C.Ss.R

São Clemente é uma figura que nos desconcerta. Faz-se missionário e dará testemunho dele. Empenhou, comprometeu todas as suas forças e capacidades a favor do Evangelho. Missionário e apóstolo que provoca conversão. Conseguiu unir oração, vida e mística. Se integra por completo na vida de santidade, apostolado e partia sempre da vida concreta. Diante das situações concretas desenvolveu uma itinerância missionária. Sua fidelidade ao projeto de Afonso fez com que ele agüentasse muito sofrimento e dores. É a consciência do ser redentorista, que me leva a um fazer. A pregação do Evangelho une o missionário com o redentor. Assimilar as verdades para que promovam a vida. É um homem que fez a experiência de estar ungido pelo espírito. A caridade apostólica une o missionário à espiritualidade e o apostolado. Como redentoristas, não somos pessoas soltas e Clemente nos ensina isso. Quando pregava fala ao coração. Suas homilias são resultado de um diálogo cordial. Seu segredo era comunicar o que foi contemplado.

Clemente não pregou missões populares, pois era proibido fazê-las na época. Não pregou mas favoreceu.

O povo se alegrava com Clemente porque em sua igreja poderia ser livre. Aqui há um campo enorme de pluralidades. Há uma grande diversidade de rostos que encontrava pelo caminho. Era um verdadeiro apóstolo acessível a todos. Fundou escolas e pensava nestas trazer e preparar para a vida as crianças carentes. Segundo o que se fala, era a primeira escola que dava alimento. Dava atenção especial aos enfermos. Durante os 12 anos em Viena, conta-se que ajudou mais de duas mil pessoas a morrer em paz. Vivia a Pastoral da Juventude por atração e conversão. Colaboração com os leigos e uma formação consciente com eles. Buscou colaborar de modo muito profundo com eles. Ele conseguiu mexer com muita gente. Santo sem milagre, mas mostra que sua vida é um milagre.



Síntese: Pe. Gelson Luiz Mikuszka, C.Ss.R

 
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" Serão dóceis ao Espírito Santo, que sem cessar atua para conformá-los a Cristo, de modo que aprendam a ter os mesmos sentimentos que Cristo (cf. Fl 2,5ss.) e se revistam da mesma mentalidade (1Cor 2,16), que os move interiormente à obra do apostolado.."
Constituição Redentorista 25
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